25 de jul de 2012

Avaliação de Língua Portuguesa

E.E.”Dr JOAQUIM VILELA”
AVALIAÇÂO DE PORTUGUÊS / 2012                               
ALUNO (A):________________Nº___               SÉRIE:
 PROFESSOR: ____________                           VALOR: _____                                                                         NOTA:   _______                                                           
                                                                                                                                           BOA SORTE!!!
Leia o texto abaixo para, em seguida, responder às questões de 1 a 10.
BRINCADEIRA

Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse:
— Eu sei de tudo.
Depois de um silêncio, o outro disse:
— Como é que você soube?
— Não interessa. Sei de tudo.
— Me faz um favor. Não espalha.
— Vou pensar.
— Por amor de Deus.
— Está bem. Mas olhe lá, hein?
Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
— Sei de tudo.
— Co-como?
— Sei de tudo.
— Tudo o quê?
— Você sabe.
— Mas é impossível. Como é que você descobriu?
A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
— Alguém mais sabe?
Outras se tornavam agressivas:
— Está bem, você sabe. E daí?
— Daí, nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
— Se você contar para alguém, eu...
— Depende de você.
— De mim, como?
— Se você andar na linha, eu não conto.
— Certo.
Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
— Eu sei de tudo.
— Tudo o quê?
— Você sabe.
— Não sei. O que é que você sabe?
— Não se faça de inocente.
— Mas eu realmente não sei.
— Vem com essa.
— Você não sabe de nada.
— Ah, quer dizer que existe alguma coisa para saber, mas eu é que não sei o que é?
— Não existe nada.
— Olha que eu vou espalhar...
— Pode espalhar que é mentira.
— Como é que você sabe o que eu vou espalhar?
— Qualquer coisa que você espalhar será mentira.
— Está bem. Vou espalhar.
Mas dali a pouco veio um telefonema.
— Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre aquilo.
— Aquilo o quê?
— Você sabe.
Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava:
— Você contou para alguém?
— Ainda não.
— Puxa. Obrigado.
Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme.
— Por que eu? — quis saber.
— A posição é de muita responsabilidade — disse o amigo. — Recomendei você.
— Por quê?
— Pela sua discrição.
Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém.
Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse:
— Sei de tudo.
— Co-como?
— Sei de tudo.
— Tudo o quê?
— Você sabe.
Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino.
Investigaram. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que a voz que mais se ouvia era a dele, gritando:
— Era brincadeira! Era brincadeira!
Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais.(Luis Fernando Verissimo. Comédias da vida privada.)
Vocabulário
discrição: qualidade de discreto, isto é, de algo ou alguém que não chama a atenção, de pessoa que guarda segredo.
gentleman: palavra do inglês que significa “homem fino”, “cavalheiro”.
remoto: distante.

01 - Todo texto narrativo apresenta uma personagem principal, à qual se dá o nome de protagonista. Quando há uma personagem que se opõe às ações e aos interesses do protagonista, ela é chamada de antagonista.
No início do texto, o narrador conta que o protagonista “Descobriu que tinha poder sobre as pessoas”. O que as pessoas temiam?

02 - Que tipo de poder supostamente o protagonista passou a ter?


03 - Impostor é aquele que quer passar pelo que não é. Você diria que o texto narra a história de um impostor? Por quê?


04 - Nós desconhecemos o segredo que as vítimas queriam que fosse guardado. Contudo, qual é o segredo do protagonista?


05 - O texto não revela o nome de nenhuma personagem. Considerando que essa história narra uma trama que joga com informações e poder, haveria algum motivo para o ocultamento do nome das personagens?


06 - Observe a ironia presente nas frases finais do texto:
“as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais”.
Em que consiste essa ironia?
07 - O sentido de um texto resulta não apenas das idéias que ele veicula, mas também da maneira como sua linguagem é organizada. Observe que o texto “Brincadeira” é construído com frases curtas e diretas. Considerando o envolvimento entre as personagens do texto, por que você acha que o autor emprega frases curtas?



08 - As reticências são um sinal de pontuação que pode ter diferentes sentidos, dependendo do contexto
em que são empregadas. Observe estas frases:
“— Se você contar para alguém, eu...”
“— Olha que eu vou espalhar...”
Na 1ª fala, o que você acha que a pessoa iria dizer em seguida?



09 - Na pergunta “— Co-como?”, feita por uma das vítimas, o autor repete uma sílaba procurando imitar
a fala da personagem. O que essa repetição sugere quanto ao seu estado emocional?


10 – O texto de Luis Fernando Veríssimo, lido acima, é predominantemente dramático (desenvolvido em diálogos), porém se faz presente um narrador. A respeito desse narrador é correto a firmar que:
(a) Trata-se de um narrador em 3³ pessoa observador.
(b) Trata-se de um narrador protagonista.
(c ) Trata-se de um narrador personagem
(d) Trata-se de um narrador em 1ª pessoa.
(e) O narrador é o assassino da história.

11 - Agora, considere o seguinte trecho: 
Em vez do médico do Milan, o doutor José Luiz Runco, da Seleção, é quem deverá ser o responsável pela cirurgia de Cafu. Foi ele quem operou o volante Edu e o atacante Ricardo Oliveira, dois jogadores que tiveram problemas semelhantes no ano passado. O termo “ele”, em destaque no texto, refere-se:
A) ao médico do Milan.
B) a Cafu.
C) ao doutor José Luiz Runco.
D) ao volante Edu.
E) ao atacante Ricardo Oliveira.
Observe a charge a seguir:
12 –O sentido dessa charge faz-se a partir de um conjunto temático, estrutural e verbal. Sendo assim, a mensagem implícita (escondida) e irônica se constrói principalmente sobre:  (0,5)
(a)  A imagem do político.
(b)  Os óculos, que escondem os olhos do político.
(c)  A marca da roupa do político.
(d)  A mensagem destacada: “Propaganda eleitoral pela internet”.
 (e) A sonoridade da expressão “@masfaz” (arrobamasfaz), que constrói um segundo sentido.

13 – A base para o sentido e o entendimento desta charge está:

(a)  Na nova lei que autoriza a veiculação de propaganda política via e-mail.
(b)  No desenho, visto que é uma publicidade comercial sobre roupas.
(c)  No desenho, visto que é uma publicidade comercial sobre charutos.
(d) Na possibilidade de qualquer pessoa candidatar-se a um cargo político pela internet.
(e)  Na propaganda comercial de um site político da internet.
14 – Agora, observe esta outra charge abaixo:
O sentido dessa charge faz-se, também, a partir de um conjunto temático, estrutural e verbal. Sendo assim, a mensagem implícita (escondida) e irônica se constrói principalmente sobre:  (a) O conjunto: imagem da pizza, o recheio da mesma, e a frase logo abaixo do desenho, que faz referência à impunidade política em nosso país, em que popularmente se diz que: “No Brasil tudo acaba em Pizza”.
 (b) A imagem da pizza, que mostra a intenção comercial da propaganda
 (c) A mensagem “À moda da casa”, que demonstra que os principais problemas do Brasil concentram-se no setor da moradia
 (d) A mensagem “À moda da casa”, que mostra que as pessoas estão muito despreocupadas com o país, preocupando-se somente com o que consomem em suas casas.
(e)  O fato de a pizza estar dentro de uma caixa, que mostra que nossos políticos empacotam todos os nossos problemas.

15 – Discurse sobre qual a relação de proximidade existente entre a charge da questão número 12 e a charge da questão número 14.